História

IGREJA

A igreja da Venerável Irmandade de Nossa Senhora do Terço e Caridade mais conhecida como Igreja do Terço, está situada na Rua Cimo de Vila e as suas origens prendem-se com a devoção e fé cristã em volta do terço. 

O culto começa com um grupo de moradores que em devoção à Nossa Senhora do Terço se juntavam à noite para rezar o terço, num oratório que existiu próximo do local onde hoje se encontra a igreja.  A 21 de novembro de 1754, graças à recolha de esmolas, o padre Geraldo Pereira em conjunto com o padre João Moreira compram duas casas junto à Porta de Cimo de Vila, para aí mandar erguer uma capela de invocação de Nossa Senhora do Terço. Os trabalhos são iniciados a 8 de Setembro de 1756 e são concluídas três anos depois, sendo a igreja benzida a 8 de Dezembro dia em que a igreja celebra a Nossa Senhora da Conceição. O projecto da igreja foi atribuído a Nicolau Nasoni por Robert Smith.

No ano de 1771, a então capela recebe o sino da torre que foi executado pela fundição bracarense de João Ferreira de Lima; anos mais tarde, a 4 de Dezembro de 1774, a capela sofre obras de ampliação, recebe a denominação de Igreja com a sua conclusão, sendo rezada uma primeira missa em 8 Abril de 1775.

Corria o ano de 1776 quando a obra do altar-mor é entregue a José Teixeira Guimarães. Bandas de grinaldas de rosas, de estilo rococó, entrelaçadas em espiral incorporam o retábulo que é terminado em 1779.

No século XIX foi acrescentado um painel da devoção mariana da Nossa Senhora do Terço, sentada com o menino e rodeada de anjos, pendendo terços de todas as mãos.

 

ARQUITECTURA

Planta longitudinal, composta por nave única, capela-mor retangular, e torre sineira quadrada, sobreposta à nave na fachada Sul. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhado de duas águas na nave e capela-mor, e em zimbório de recorte ondulado, encimada por esfera e catavento na torre. Todas as faces apresentam-se decoradas por frontões ondulados, interrompidos por conchas. A fachada principal orientada a Oeste, revestida a azulejos azuis e brancos, encaixada entre pilastras, salienta ao eixo um portal com escadaria, de ombreiras curvilíneas com volutas, encimado por cartela, com legenda. Sobre esta insere-se um grande óculo elíptico, envolvido por resplendor de esferas, sugerindo as contas de um terço e rematado superiormente por cruz.

É ladeado por janelões com moldura em pedra, constituída por avental com folhas de acanto, ombreiras e padieira recortadas, ostentando no remate superior, sucessivamente, concha, grinalda e folhas. A sobrepujar este conjunto, um espaldar em cujo tímpano se insere uma grinalda de flores, rematado por frontão contracurvado e forte cornija, encimada por cruz ao centro e diferentes fogaréus nas extremidades. Num plano ligeiramente recuado implanta-se a torre com a base destacada, que constitui a porta de acesso ao coro e sinos e que apresenta um tratamento idêntico à do portal principal. A fachada posterior apresenta uma construção com alpendre adossada à capela-mor. As paredes laterais, voltadas para o pátio a Norte, ou adossadas às dependências do Hospital a Sul, apresentam janelões retangulares simples.

No interior, subcoro revestido a azulejo relevado branco e amarelo, com para-vento em madeira e vidros, e coro assente em granito recortado com três janelões com painéis de vitral colorido. No lado da epístola, dois nichos envidraçados, sobre base de mármore, que encerram imaginária. Na nave o mesmo azulejo, cobrindo as paredes até à cornija de apoio do teto. De cada lado, dois altares em talha e um púlpito. Do lado direito, um destes insere-se em capela de profundidade reduzida, com teto abobadado e iluminada por lanternim de secção elíptica. Teto de abóbada de aresta, estucado, de três tramos, separados por arcos torais e granito.

Aposta ao arco cruzeiro, sanefa em talha dourada rococó. A capela-mor com lambrim de azulejo branco, e tribunas de madeira, apresenta entre as duas janelas um grande medalhão estucado com uma figura em relevo. Retábulo-mor rococó. Nas traseiras da capela-mor localiza-se a sacristia revestida a azulejo azul e branco com um teto em madeira pintado em quadratura, sugerindo um espaço perspetivado. Numa das paredes um arcaz em pau santo.

(retirado do monumentos.pt)